Entrevista – Mix Literário

Entrevista publicada no blog Mix Literário

Mix – Como surgiu a ideia de Rosa Imortal? Em que você se inspirou?

Tâni – Sempre tive paixão pelo romantismo da criatura sobrenatural vampiro, desde pequena. Quando tive contato com o jogo de RPG “Vampire, the Masquerade” (Vampiro, a Máscara), o ato de contar histórias com a temática que eu gostava passou a ser possível e comecei a rascunhar ideias, a princípio soltas, que foram se juntando e resultaram em Rosa Imortal.

Mix – Fale um pouco sobre a escolha do Título.

Tâni – Eu sempre tive vontade de fazer uma tatuagem de flor, de preferência uma rosa. Quando achei o desenho perfeito (após alguns anos de busca), era uma rosa entrelaçada em um tribal. Pensei naquilo como uma maneira de imortalizar a flor. Daí a história, já iniciada, surgiu com esse nome para mim, a maneira de imortalizar em palavras a Rosa Imortal. Até então, a história tinha um nome provisório de “Cruel imortalidade”. Já o subtítulo “Um novo florescer” veio quando percebi que a história iria ter continuação, que ela era apenas o broto.

Mix – Pode falar um pouco sobre as protagonistas Eileen, Loren e Marcello?

Tâni – Eileen é uma jovem e corajosa jornalista, com uma relação bem intensa com a espionagem. Ela é durona, racional, e percebe que muito do que acreditava era ura ilusão. Uma mulher moderna para sua época, por ser independente e sensual.

Loren já faz mais o estilo tímida, quieta e pensativa; traduz o estilo hippie de viver da época, e ela amadurece muito durante a trama, ao perceber seu potencial.

Marcello é, como eu carinhosamente me refiro a ele, o “maluco de plantão”. Alegre e inconseqüente, ele dá vida a muitas das aspirações de vários personagens. Ele guarda um grande segredo, que percebemos ao folhear as páginas da história.

Mix – Foi muito difícil criar um novo universo de vampiros e escrever sobre as famílias sem cair em um clichê?

Tâni – Sim, foi bem difícil, inclusive pela necessidade de não esbarrar em qualquer copywright do jogo no qual me baseei. Claro, muito da mitologia de Rosa Imortal eu criei com idéias próprias, lançando-me mãos de outras influências, tanto literárias quanto cinematográficas, mas é bem difícil de escrever sobre vampiros em um momento onde há “moda” desse tipo de literatura e comparações são realidade.

Mix – Você teve dificuldade em escrever sobre tempos distintos? Teve que fazer uma pesquisa histórica para conceber o livro ou apenas a viagem que você fez foi suficiente para criar todo o cenário?

Tâni – Sim, foi necessário fazer uma pesquisa grande, tanto geográfica quanto temporal. Minha permanência em Londres não durou tanto quanto eu desejei, então o que pude ver pessoalmente foi ótimo, mas acabou faltando coisa, então tive que utilizar de internet e de guias turísticos com mapas para complementar alguma coisas. Mas a questão temporal foi mais complexa; tive que ir atrás de linhas de metrô que existiam na época, bens de consumo comuns para a época, maneirismos, e, claro,a influência pop, como música e cinema.

Mix – Esse foi o seu primeiro trabalho? Quem são seus maiores incentivadores?

Tâni – Sim, Rosa Imortal foi meu primeiro trabalho, e fico feliz em perceber que não será “filho único”. Uma das pessoas que mais me incentiva, do jeito dele, é meu marido. Ele critica nos pontos mais incisivos, que me faz rever algumas coisas, e reavaliar alguns aspectos da criação. Sabe aquela pessoa “pentelha” que enxerga o erro/engano onde você não consegue ver mais? É ele!…

Mix – Teve algum bloqueio no processo de criação?

Tâni – Sim, vários. No começo tive alguns problemas com cenas de ação, tinha muita dificuldade de colocá-las de maneira correta no papel, ainda mais que não tenho muito domínio de técnicas de luta e artes marciais, embora meu fascínio por elas seja grande.

Mas o engraçado foi perceber que, conforme a narrativa ia ganhando corpo, os personagens foram tornando-se tridimensionais e agir por conta própria; eu praticamente só exprimia seus sentimentos no papel, suas reações; eles já estavam completos o suficiente para reagir aos problemas da trama.

Mix – Quanto tempo demorou para escrever a história?

Tâni – Os primeiros esboços de Rosa Imortal nasceram em uma viagem à praia, em 1998, com amigos. De lá para cá, foram vários momentos de congelamento, onde a história ficou em segundo plano na minha vida. O término criativo da trama deu-se em 2006, ou seja, oito anos de trabalho.

Mix – Quais as dificuldades no processo de publicação? Como escolheu a editora?

Tâni – Enfrentei várias dificuldades, sim, visto que eu não era conhecida. De início, fiz uma tentativa com uma editora/gráfica online, mas, como era em dólar, acabou tornando-se inviável, por conta de fatores encarecedores, como frete.

Fechei com a Editora Literata em 2009. Tivemos alguns problemas de percurso de ambos os lados, mas não desistimos da parceria, foi necessário confiança um no outro. A escolha da editora foi por conta do interesse do Eduardo Bonito, meu editor, em minha obra, e por ele não me deixar desistir do meu sonho.

Mix – Tem algum projeto em andamento? Pode nos falar um pouco sobre eles?

Tâni – Sim, idéias não faltam! Tenho em mente pelo menos mais dois livros dentro da trama de Rosa Imortal, e o segundo já está quase pronto, passando-se cerca de 40 anos após a primeira trama. O terceiro ainda está no plano das idéias, nada concreto.

Mix – Como tem sido a recepção do público?

Tâni – Olha, tenho me surpreendido com as opiniões do público e isso tem sido muito legal. Personagens que não foram construídos para agradar estão angariando fãs, e isso é muito interessante! Tem sido ótimo ouvir o que as pessoas acham da Londres de Rosa Imortal e de seus sombrios personagens!

Mix – Fale um pouco sobre você.

Tâni – Bom, além de escritora eu sou farmacêutica, trabalho na vigilância sanitária na secretaria de saúde de meu município e amo o que faço! Sou casada há quase dez anos e tenho um mocinho de quatro anos e meio. Sou fissurada em música pop antiga, estilo oitentista, e em metal melódico, estilo épico e medieval.

Mix – Para você o que significa ter seu livro publicado?

Tâni – É a realização de um sonho de vida, pois foram muitos os “nãos”, muita gente dizendo para eu desistir, que não daria certo. Pude provar que, quando se deseja algo, quando se quer de verdade, dá certo, mesmo que se demore 14 anos, como no meu caso!…

Mix- Vamos a uma rapidinha com a Tâni, eu faço uma pergunta onde será respondida com a primeira coisa que estiver pensando!

Mix – Um filme?

Tâni – O Grande Truque (The Prestige)

Mix – Um ator?

Tâni – Johnny Depp

Mix – Uma atriz?

Tâni – Nicole Kidman

Mix – Uma música que combine com Rosa Imortal?

Tâni – “Raoul and the Kings of Spain”, do Tears For Fears.